ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA

Inteligência é uma ferramenta que pode ser utilizada por um indivíduo que pretenda ludibriar a boa-fé de um incauto ou por um grupo que pretenda roubar um banco, causar danos à imagem de uma organização ou mesmo realizar um atentado terrorista. Também é um suporte imprescindível para planejadores e decisores estratégicos do “bem”.

Inteligência não é um modismo, especialmente para gestores de segurança.

Trata-se de uma ferramenta de suporte à decisão e ao planejamento consagrada através dos séculos.

Líderes bíblicos e sábios da antiguidade utilizaram processos de Inteligência para garantir a segurança ou mesmo a sobrevivência de suas sociedades.

Moisés, Sun Tzu, Alexandre da Macedônia, Júlio César, Ben Gurion, Canaris, Dwigth Eisenhower e outros líderes mais recentes, certamente puderam constatar a importância de ter uma boa Inteligência. A História é a testemunha deles.

Ao longo dos tempos, as sociedades desenvolveram processos de Inteligência que atendessem a suas necessidades e anseios, atribuindo-lhe o nome que melhor atendesse à conjuntura-espionagem, informações, assuntos estratégicos, serviço secreto, sistema de informações gerenciais etc. Às vezes até de forma jocosa ou pejorativa, como “arapongagem”, um epíteto brasileiro de conotações negativas. Sinal de que, de alguma forma, ela atingia resultados – nem sempre os ideais, é claro. Certamente muitos operadores de segurança blasfemaram contra a Inteligência norte-americana pela sua incapacidade de prever os atentados de 11 de setembro. Não há milagres.

Mas o fato é que a Inteligência tem sobrevivido às intempéries dos tempos.

Atualmente, com a mais fantástica democratização do acesso à informação proporcionada pela internet, que permitiu que situações de crise adquiram repercussões mundiais quase em tempo real, bem como dissemine tecnologias de uso dual, facilmente assimiláveis e de baixo custo, acessíveis também aos criminosos, implicando consequências imediatas para a segurança pública e privada, os modernos operadores de garantias de incolumidade (ou de redução de riscos) de pessoas, patrimônio e imagem não podem prescindir de processos informacionais que lhes garantam antecipar situações e agir com oportunidade.

Inteligência não é apenas mais um suporte à investigação de ações criminosas, sintomaticamente aquelas atribuídas às entidades abstratas conhecidas como crime organizado, como faz pensar as muitas matérias jornalísticas recentes em nosso país.

O conhecimento estratégico que a Inteligência faculta permite ao planejador de segurança ou ao mediador de conflitos antever situações apontadas muitas vezes por pequenos sinais – as microtendências –, permitindo a formatação de cenários e o preparo de sua organização, estruturalmente e em recursos humanos, para as “surpresas inevitáveis”.

Muitos dos insucessos da segurança pública no Brasil podem ser atribuídos à incapacidade dos gestores, algumas décadas atrás, em antever os fatores de evolução da criminalidade de massa e do delito estruturado no país, até o momento de quase caos que se vivencia.

Não, não se trata de bola de cristal ou trabalho de videntes.

O que se objetiva são processos de análise de variáveis, com suporte em Tecnologia de Informação, e de identificação de sinais que as redes sociais nos disponibilizam permanentemente.

Isto é Inteligência. Uma ferramenta que dá suporte ao planejamento e à decisão com perspectiva de futuro, mediante a geração do conhecimento útil.

É bom lembrar que alguns conflitos já superam a casa dos dois mil anos e causam danos até hoje.

Uma análise prospectiva – uma das metodologias de análise de Inteligência –, elaborada por especialistas, poderia dar algumas respostas ou, no mínimo, orientar algumas estratégias.

Talvez se devesse estar olhando as ruas, os depósitos de presos e os abrigos de menores espalhados pelo mundo, diariamente escancarados pela mídia, em busca de decisões a serem tomadas urgentemente.

Raciocinando nos níveis tático e operacional, a Inteligência tem condições de antever novas práticas gerenciais para sistemas de segurança, necessidades de equipamentos que permitam a sobrevivência dos operadores de ponta de linha, aqueles que arriscam suas vidas, às vezes desnecessariamente, em função da imprevisibilidade que antecedeu a sua atuação.

Operadores de segurança têm obrigação de estar à frente de seu tempo, de antever situações de risco, no mínimo para reduzir os danos.

Isso só pode ser alcançado pelo uso intensivo de metodologias de Inteligência que garantam acesso à informação útil, acionável, que faculte os melhores suportes ao planejamento e à decisão.

Assim, o gestor de segurança deve dispor de um sistema de monitoramento ambiental, da capacidade de validar dados recebidos e de condições de analisar dados para produzir o conhecimento de que necessita. Isso é o que será estudado neste documento.

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